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ANIMALS AS LEADERS
Carioca Club - São Paulo/SP
29 de julho de 2017
Por Valtemir Amler / Fotos: Edu Lawless
 
A pedra havia sido cantada um bom tempo atrás: há alguns anos, meu amigo Lucas Vinícius Santos, durante uma conversa sobre a proficiência musical do sueco Meshuggah, comentou: “Você precisa conhecer o Animals As Leaders. Eles são fantásticos!”. Confesso que corri atrás do material da banda mais por consideração ao amigo do que por conta de uma banda que, pelo nome, me parecia estranha demais. E, agora, outra confissão: aquilo me impressionou demais! Alguns anos mais tarde, veio a oportunidade de conferir aquilo tudo ao vivo, uma experiência bem mais esclarecedora do que os vídeos disponíveis no YouTube... E a experiência logo demonstrou um charme extra. A apresentação foi marcada para um bom horário, realmente cedo, as sete da noite. E não teria banda de abertura.


 
Com o show começando e acabando cedo, tínhamos um bom tempo do sábado para aproveitar de outra maneira, tomar uma cerveja com os amigos, partir para outro compromisso, ou, no meu caso, acompanhar algumas partidas de baseball. Nada fora do usual. O usual neste 29 de julho foi totalmente quebrado sobre o palco do Carioca Club.
 
Quase que pontualmente às 19 horas, as cortinas se abriram revelando as figuras de Matt Garstka (bateria), Javier Reyes e Tosin Abasi (guitarras), muito saudados pela plateia. O início do show foi fenomenal, com Arithmophobia, faixa que abre o quarto e mais recente disco do trio, The Madness of Many, de 2016. A mistura de sons orientais com duas guitarras extremamente técnicas, recheadas de fraseados de jazz e uma bateria intrincada deixaram o público em um estado de euforia catatônica, algo que nem eu mesmo sei o que pode ser, mas que é a melhor forma de descrever a sensação do momento.


 
Ainda sem comunicação com o público além de breves acenos, o trio seguiu com Ectogenesis e Cognitive Contortions, ambas também do disco mais recente, e só então Tosin Abasi resolveu fazer uso do microfone para se comunicar diretamente com o público, e mesmo assim de forma bastante rápida e concisa: “Esta é a nossa primeira vez aqui em São Paulo, obrigado a todos por estarem aqui”. Com estas breves palavras, a banda introduziu Wave of Babies, faixa lançada somente como single digital em 2010, e que cativou com seu início acústico e emotivo, até que uma explosão rítmica tomasse conta das PA’s.
 
Àquela altura já estava claro que a complexidade da música do Animals As Leaders ‘bloqueia’ a movimentação da banda pelo palco, Javier Reyes poderia tocar equilibrando um prato sobre uma vara encima da cabeça, Tosin Abasi se limita a um ‘bater cabeça’ tímido e contido entremeado por acenos simpáticos, mas que não atrapalham em nada a apresentação, já que a mesma postura centrada e atenta se reflete no público, atento a cada nuance da rica e soberba música experimental do grupo, que torna tudo ainda mais enxuto por se tratar de música instrumental. Ademais, o baterista Matt Garstka é um show à parte, agitando a todo momento, e mostrando a desenvoltura de um polvo para dar conta das partes de bateria de faixas como Do Not Go Gently (Weightless, 2011) e Tooth and Claw (The Joy of Motion, 2014), que vieram na sequência.


 
Embora as emoções dos dois lados do palco se mostrassem bastante contidas, o sucesso da apresentação era visível e audível no intervalo das canções, quando finalmente os fãs se liberavam para gritar e aplaudir, e a banda os saudava de forma polida e cordial, como que em transe. Toda essa concentração se mostrava efetiva. As partes que mesclam peso metálico e andamentos que variam do jazz até algo de bossa nova eram executados com precisão absurda. E, para aqueles que sonhavam em ver como Ka$cade soaria ao vivo, a sua execução revelou ainda melhor as nuances sutis do arranjo do que um CD jamais poderá, fazendo esta apresentação se tornar ao mesmo tempo um show e um workshop de instrumentistas vigorosos e aclamados.
 
Mas o show que começou cedo também precisava acabar cedo. A trinca final, formada por Inner Assassins (The Madness of Many), The Woven Web (The Joy of Motion) e CAFO, esta do debut de 2009 foi intensamente comemorada pelos presentes, e com o fim da apresentação, finalmente a banda se soltou para comemorar com os brasileiros o sucesso da sua estreia e até agora única apresentação do grupo no Brasil.
 
Em um bom horário, com casa cheia e público eufórico, o Animals As Leaders provou que música técnica e instrumental não precisa ser chata como alguns pensam, e nem um conhecimento hermético destinado apenas ao seleto grupo dos ‘iniciados’. Quem esteve lá se divertiu. E quem não esteve, não deve perder a próxima oportunidade.



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