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TUATHA DE DANANN
Clash Club - São Paulo/SP
11 de fevereiro de 2017
Por Valtemir Amler / Fotos: Divulgação
 
Existiam resquícios de magia celta no ar naquela tarde de calor tórrido na capital paulista. Mesmo com todo o reboliço e desconforto causado por uma multidão de foliões na região da Barra Funda, grupos seletos de "camisas pretas" mostravam, desde cedo, que existia algo a mais para ser aproveitado naquele dia. Algo mágico, algo a ser celebrado.
 
Rumando em pequenos grupos em direção ao Clash Club iam outros tipos de foliões, muitos deles parecendo saídos do elenco de apoio dos filmes da trilogia "O Hobbit". Cabelos crescidos, barbas, indumentária celta ou não, aqueles grupos seletos de cavalheiros e damas contornaram a multidão em busca das belas canções de seus bardos favoritos, que pela primeira vez concediam uma honraria extra ao seu grande grupo de seguidores: tratava-se da estreia do projeto "Setlist Show", que visa permitir aos fãs a escolha do repertório executado pelos seus artistas favoritos em datas selecionadas. O sucesso da votação pela internet já indicava que teríamos uma noite de casa cheia e de muita empolgação e festa no Clash Club, e, para a felicidade de todos, as expectativas se confirmaram.


 
Diante de uma plateia volumosa e extremamente receptiva, o grupo começou a festa com a empolgante "Believe, it’s True", faixa de "Trova Di Danú" (2004). E vale dizer que o início não poderia ter sido melhor, já que a agitação do público, que pulava e cantava junto, mostrou o quanto esta música é ainda querida pelos fãs, mesmo tendo sido concebida há mais de dez anos. O vocalista, guitarrista, flautista, bardo, duende e sabe-se lá mais o que Bruno Maia dirigiu-se empolgado à plateia, louvando a presença de cada um, apresentando as músicas e explicando que, para esse show a banda precisou trabalhar um pouco mais, já que muitas das músicas escolhidas pelos fãs nunca haviam sido tocadas ao vivo, ou pouquíssimas vezes e há muito tempo, o que garantia uma atmosfera quase de ineditismo para esse evento memorável. E, claro, você pode até imaginar a reação dos presentes quando a clássica "Tan Pinga Ra Tan" (do debut "Tingaralatingadum", 2001) foi executada, mas não terá como reviver aquele momento, que sem dúvida será eternizado na memória dos presentes.
 
O ‘mestre bebedor cervejeiro’ Giovani Gomes tocava seu baixo com animação e precisão, cabendo aqui um adendo: essa banda erra menos ao vivo do que o Dream Theater, e se você já viu qualquer apresentação dos estadunidenses ao vivo ou em DVD, vai entender o que eu quero dizer com isso. Solos de guitarra simultâneos de Bruno Maia e Rodrigo Berne, bateria irrepreensível de Rodrigo Abreu, tudo soou perfeito nessa grande festa tocada pelos mineiros, que sem dúvidas, são os verdadeiros ‘ET’s de Varginha’, pois o que fazem não é desse mundo. Mesmo o que veio como uma notícia triste (a ausência da vocalista Isabel Tavares, que participaria do show) se converteu em festa, quando foi anunciada a presença da vocalista e baixista da banda Nervosa, Fernanda Lira, que quase roubou a cena em "Trova Di Danú" e "Abracadabra", um show à parte.


 
E, claro, a festa não seria completa sem a execução de "The Last Words", da coletânea "William Shakespeare's Hamlet" e que contou com a presença de Ronaldo Simolla (ex-Delpth), além de "Lover Of The Queen", "Brazuzan: Taller Than a Hill" e "Finganforn", e nem sem a presença de Rick Dias, que abrilhantou o show com seu violino. O encerramento veio com "Bella Natura", talvez uma das mais lindas músicas já compostas em seu gênero. Sim, faltou uma música, mas Bruno prometeu tocá-la quando a banda retornar para São Paulo, esta terra que sempre os recebeu tão bem. E não é para menos. Certas ideias, como esse “Setlist Show” merecem ser abraçadas pelo público, e já temos outras datas confirmadas, com outros grupos. Certas bandas também merecem ser abraçadas pelo público. E o Tuatha de Danann certamente é essa banda.



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