Antes tarde do que nunca
17.JUNHO.2013 | CATEGORIA: COLUNA DO BATALHA
Não, eu não vou falar do Black Sabbath. Quero falar de outra tradição. Uma que o Brasil jamais teve e que se refere ao Hard Rock – digo, o "Hard Rock 80's", "Farofa", "Hair Metal", "Poser", "Poodle Metal", ou como você preferir classificá-lo. Nós somos o país que revelou Sepultura, Sarcófago, Krisiun e tantas outras do Metal Extremo. Para os brasileiros, Mötley Crüe é apenas mais uma banda entre tantas. Não lota o Credicard Hall. A rua Augusta não é a Sunset Strip e o Manifesto Bar não é um reduto de "posers".
 
A pequena parcela de fãs que realmente curte este estilo de música, popular nos anos 80 e que serve como referência até hoje, sempre ficou acuada. Acostumou-se com as ironias. Mas ela existe e resiste. Lembro como se fosse hoje quando, em 2006 (sim, 2006!), fiquei sabendo que haveria um evento envolvendo os vocalistas das bandas Tuff e Pretty Boy Floyd no Manifesto Bar. Em meio às piadinhas habituais, pensei comigo: 'as coisas estão mudando.' Mas preferi nem compartilhar a felicidade. Claro, 99,9% dos fãs de Rock no Brasil nem conhecem estas bandas. Os que conhecem, odeiam. Tudo bem, a pequena parcela dos que gostam (0,0001%) estaria lá comigo. Veja, se para quem é daqui um depoimento como este beira o absurdo, imagine para norte-americanos. É ridículo. Risível. No entanto, aquela foi uma das primeiras vezes que pude ver gente tendo orgulho em afirmar que era realmente fã de 80's Hard Rock. Sem a máscara e o fingimento que até hoje muitos demonstram por aí com as bandas aceitas pelo "outro lado".


 
Pois bem, fiz meu trabalho. Fui ao show, fiz as entrevistas e a seção "Blind Ear". Pela primeira vez desde 1996, quando surgiu a Roadie Crew, pude falar com um artista que realmente gostava da mesmas coisas que eu. Falar de igual para igual, vibrar junto, ouvir histórias e comentários pertinentes de quem viveu aquilo – sem as piadinhas e ironias sobre maquiagem, cortes de cabelo e orientação sexual – foi pra lá de interessante. E olha que falo de Stevie Rachelle do Tuff, que comanda o site Metal Sludge. Ironia é com ele mesmo.
 
Ao longo dos anos, desde a primeira vinda do Kiss ao Brasil há exatos trinta anos, muitas bandas de Hard Rock "FAROFA" passaram por aqui. Sem muito alarde, é verdade. Até o Tuff voltou. Por sinal, um de meus últimos suspiros de empolgação, com aquela alegria verdadeira que vem do coração e que lava a alma, veio com um show que teve pouca presença de público – testemunhas, diga-se. Faster Pussycat. Jamais tinha visto algo tão sujo, podre e tão decadente na vida. Ver minha esposa empolgada do meu lado, curtindo uma banda que ela nunca deu atenção, aumentou a minha satisfação.


 
Onde quero chegar com isso? Bem, trinta anos depois do lançamento do primeiro registro oficial, vou finalmente poder ver a banda que mudou a minha vida: Ratt. Sim, o Ratt (leia o post "Obrigado, Ratt" AQUI). Quem me conhece sabe que quase não fico empolgado com esse calendário absurdo de shows internacionais, mas por dentro estou sentindo uma felicidade que não cabe em palavras. Não vou demonstrar. Não vou soltar rojões. Não quero saber de comentários de boçais netbangers que odeiam "Hair Metal". Não quero saber se quem já viu a banda achou o show péssimo. Que Stephen Pearcy não canta nada. Sim, ele é o pior melhor vocalista. Eu sei como é. Dia 20 de outubro vou ver o Ratt na minha cidade no segundo dia do festival "Monsters Of Rock". Vamos fazer como a torcida do Juventus e lotar a Kombi com fãs como eu. Com licença, mas posso exprimir meu lado fã? Você me permite? Viva a decadência!
 
Antes tarde do que nunca no país do Dave Mustaine.


 



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Ricardo Batalha
Redator Chefe
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